Terça-feira, 8 de Fevereiro de 2011

SA - Corrente - Parte IV

(Carteiro em um dia normal pós hora do almoço em uma agência bancária. Após esperar 3 horas para ser atendido, encosta na boca de um caixa e passa a olhar a multidão sentada, e os poucos que estão sendo atendidos)

#em pensamento#

Por hora vejo como a vida real social é monótona e sem graça. Cada cidadão que está aqui neste momento tem seu padrão de vida, sonhos, desejos, medos, anseios e crenças. Às vezes chego a pensar que a maioria destas pessoas somente estão vivendo o presente ou se quer ligam para as coisas simples da vida.

É óbvio que não se pode generalizar, muito menos dizer que estão infelizes pelo caminho que escolheram...mas cabe aqui a minha observação...como a vida tem horas que e besta...

#carteiro sai da agência e fica parado alguns segundos olhando para o céu... Parece se lembrar de algo que mexe com sua paz, fecha seu olhar em um momento de ódio por este pensamento, coloca seu óculos e começa a andar... Neste exato momento ouve-se uma freada forte de carro no meio da avenida paralela a agência. Buzinas e berros mas nada de mais grave acontece....carteiro nem olha para trás e segue seu rumo #

#Jornalista, poucos minutos depois de estacionar seu carro#

#telefone celular toca#

Jornalista (encontrando um canto seguro para atender) - alô?...
...oi, tudo bem com você minha amiga?
...chegou bem?
...ótimo, ótimo.
...ahn....ah ah sim, o lugar para nos encontrar. E que hoje está um pouco complicado, sabe como e...correrias a parte Ehhe problemas a serem resolvidos. Pode ser no sábado?
....Sim...15h? Pode ser...eu vou lhe passar o endereço...sabe aquele lugar que costumava a lhe dar as aulas??...
....Como não se lembra??
(sorri)
....se lembrou não e? Pois pode ser lá mesmo por que vou estar naquela região.
....ok? Tudo bem então...traga-o e veremos junto ok?
....somente cuidado.
...até mais...
(desliga)


# Cidadã, em seu quarto, desliga o telefone e começa a andar em redor de sua cama em direção a janela#

#flashback#

#Cidadã segurando o livro em um banco de praça...foco somente nos braços e mãos dos dois cidadãos #

Cidadã (escarnio) - ... Eu so não estou acreditando que o que está escrito aqui e de tão valia assim?

Cidadão K (segura o livro, abre e o começa a folhear) - ... isto e equivalente a uma obra de arte, so tem valor na mão das pessoas certas. Para as pessoas de fora...isto e apenas um livro escrito por um retardado, que não tem nada na vida do que fazer.
Aliás...muito mais valor do que imaginamos.

Cidadã (sorriso maroto) - ... mas deixando de lado as outras coisas, conseguiu ler alguma coisa dele? Eu achei assim tão....tão.....idiota

Cidadão K - ... Sim..algumas coisas com a ajuda de um amigo meu de tempos e de longe. Pena que ele não e tão esperto.

Cidadã (risos) - ... E eles nem notaram a falta deste livro né?...incrível como foi fácil.

Cidadão K - ...foi uma das partes que eu li. Mas melhor mantermos sigilo se quisermos o êxito.

#de volta ao quarto...susto. Celular toca...ela vê o número, momento de apreensão. Desliga. Joga-o na cama....pega de volta e o desliga. Cidadã deita na cama...em silêncio, cruza os braços debaixo de cabeça e olha pela janela#

Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010

SA - Corrente - Parte III





#Carteiro, em seu ambiente de trabalho, em pleno dia de trabalho, sentado fazendo seu servico. Seu colega ao lado, sempre o estranha, resolveu perguntar#

A - Olha cara, desculpa a pergunta, mas e que ja nao estou me aguentando! Esta me incomodando (tom de desabafo) muito e creio quem esta proximo tambem. Hoje e um dos dias que a casa esta caindo aqui e voce esta sorrindo. Semana passada, foi o caos aqui, e voce sempre sorrindo de bom humor....mes passado o caos dinovo, governo caindo em cima....e voce de bom humor. Das uma...detesto pessoas falsas e hipocritas, ou voce e doente ou eh um falseta de plantao, um hipocrita. Desculpa os termos, mas e assim que me sinto!

Carteiro (ouvindo calmamente e olhando para o colega) - (sorri)...

A - voce ri?? Nao tem nada a dizer, cara?

Carteiro (calmamente) - Sim, eu tenho (sorri). Primeiramente quantos anos que voce tem?

A - 36....e voce?

Carteiro - O que voce imaginar que eu aparento! (sorri) acontece que, voce esta contaminado pelo que o mundo, o ambiente, lhe oferece de mal. Pense bem comigo, o nervosismo, a raiva, o stress, como chamam, sao chagas que destroem seu corpo, sua mente e sua alma....talvez voce nao queira escutar, mas pense comigo (sorri) nao e o ambiente que precisa de voce, e voce que precisa do ambiente....entao, partindo disso, se voce passar mal, ate mesmo morrer por uma doenca, devido ao desgaste....nosso trabalho continuara! Intacto, e outro assumira sua posicao.

A (resmunga, mas volta ao trabalho)

Carteiro (sorri)

#dias depois, aeroporto, Paris, Franca. Cidada na sala de espera, recebe um telefonema#

C (atende) - Alo?
T - Olaaa, ora ora nao mudou o numero ainda?
C (surpresa) - Quem esta falando?
T - Nao se faca de desentendida, sabe muito bem quem esta falando
C (assustada) - como conseguiu meu numero?
T - Nada que uma engenharia social nao resolva, sempre faz milagres nessas horas.
C (assustada) - OK, meus parabens entao, o que quer de mim.
T - Voce tem algo que me pertence, nao e mesmo? Nao seria hora de devolve-lo
C (brava) - Pois saiba voce que o que tenho nao pertence se quer a voce e eu, nao seja canalha
T - Olha aqui....se nao fosse bonitinha, aceitaria mal, mas no seu garbo de inteligencia, e um elogio. Nao pode fugir por muito tempo com isso, sabe disso.
C - e quem e voce para me dizer isso?
T - ...nao e preciso dizer quem eu sou ou deixei de ser, o fato e que, estou na sua cola, e a devolucao sera feita. Por bem...ou por mal.
C - tente a sorte, otario (desliga)
C (preocupacao) - esse desgracado ainda dara dor de cabeca, ja estou vendo.... (olhando para sua bolsa onde esta o livro)


#pulo brusco para a cena da lanchonete#

Cidadã A- Parou, parou a gravação! (todos na mesa olham surpresos para ela)
Cidadão B - Mas o que houve?
A - Você até agora só está contando a minha história, mas e a sua?
B (relutante) - E precisa mesmo?
A - ...
B - Ok ok, vamos pular um pouco para minha história....(suspiro) e contar a minha..


[...]Basicamente, o resumo da obra, era que era um...[...]


#Cidadão em um dia de chuva, em plena avenida esperando a hora para atravessar a rua#
#Ônibus passa em alta velocidade#
#Água empoçada voa sobre cidadão
#Cidadão acaba todo molhado, parado, pensando em 1001 palavras de baixo calão#

[...]um perdedor[...]

#Cidadão em seu trabalho atende o telefone#
#Cliente liga ofendendo#
#Cidadão diz...sim senhor#

[...]confesso que não é uma coisa muito agradável de ser contada, pois sei que mexe no fundo da alma[...]

#Cidadão lava a louça em sua casa, está somente ele#
#Cidadão pendura louça no suporte#
#Após tudo limpo, copo cai#
#Vidros por todo pedaço#

[...]mas já que tem que ser contado, então mãos à obra [...]


#noite, cidadão embarca em um taxi...ao informar o destino, começam a andar#

Taxista (tentando puxar conversa) - Olha...posso confessar uma coisa com o senhor?
Cidadão (nem ligando) - vá em frente!
T - é que...hoje, peguei uma passageira, uma senhora alí em frente...(aponta)...e te digo, foi a pior viagem que fiz hoje?
C - Por quê?
T - Ela chegou toda arrogante, não precisou dizer muito...duas palavras bastaram para notar sua arrogância. Óbvio que não recusei a viagem, mas confesso foi muito ruim. Eu assim, eu não sei o que me cerca, pois parece que tenho uma sensibilidade...para...sentir, quando não bate o santo com alguém, entende?
C - Interessante...
T - E vou contar mais uma, tem pessoas que entram neste taxi, que sei lá...começo a sentir um sono, você não faz idéia um sono imenso!!! Parece que sei lá, esse tipo de pessoa suga a energia.
C - Entendo...é um caso de sensitividade
T - Pois é, é bem isso mesmo, o que é bem estranho...
C - Pois eh...posso te perguntar uma coisa então?
T - Pois diga...
C - (olha para os lados) O senhor acredito que é taxista há muito tempo, certo?
T - Sim sim...há uns 15 anos
C - Você gosta de sua vida, da rotina dela?
T - Sim, gosto...é tranquilo o trabalho
C - ...mas nunca sentiu que queria algo maior?? Sei lá, alguma ambição, um rumo de sua vida para sentir que ela é grande e tal para a humanidade.
T - Pra falar a verdade...não, por que sou feliz com o que tenho com minha família, o trabalho, tudo!
C - Ah ok (decepcionado)
T - E outra coisa, aquele que muito quer, nada tem...
C - Ok...bom, vire aquela curva por favor...

#em pensamento#
Ainda não consigo compreender, como as pessoas podem gostar de uma vida simples? Sendo somente mais um do mesmo? O que elas vêem? Para dizer bem a verdade, é difícil ver o que elas veem...


#Brasil, 1 semana depois#
#Cidadã, na esteira do aeroporto aguando bagagem, junto com as outras pessoas#
#Cidadã pega a mala, onde estáo livro, olha para os lados e começa a sair normalmente#
#Ao caminhar 20 min, abaixa o óculos e olha para trás e notam pessoas vindo em sua direção...balança a cabeça como se se fosse algum relance idiota e segue, reposicionando o óculod#
#Após caminhar pelo saguão, olha o lado, e nota um rapaz há 50m indo na direção contrária, olhando para ela#
#Cidadã se assusta e aperta o passo, olha dinovo para cidadão, que está indo para a fila do check-in#
#Cidadã caminha com um pouco mais de pressa, e olha para trás, cidadão entra na sala do checkin#
#Cidadã reduz clima de tensão, respirando profundamente#
#Cidadã segue para os taxis#
#Cidadã embarca, retira o óculos após fechar a porta e falar seu destino...olha para a entrada da sala do checkin, não nota ninguém a olhando#
#Taxi começa a andar, ela olha para a bolsa de mão onde está o livro, e sorri#

Cidadã - Acho que estou ficando paranóica!
Taxista - O que senhora disse???
Cidadã (desconversando).. - ah não, não, nada....pensei alto somente.

#dentro do checkin...cidadão suspeito, retira o celular e faz uma ligação#

C - Alô??
C - ...oi
C - ...sim, sim...
C - ...ela já está por aqui (sorri singelamente)

Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010

SA - Corrente - Parte II




#Carteiro, entrando em um bar restaurante em plena tarde, senta-se na cadeira perto do balcao#

Carteiro - Por favor, um suco!
Carteiro (olhando ao seu redor, nota criancas entrando pela porta do restaurante, uma delas com kit de engrachate)

#Em pensamento...

Isso e de dar pena....
(nota que a crianca pede uma vitamina a um homem mais idoso em uma mesa. Este ignora com olhar de rato....desprezando)
Eu nao acredito no que estou vendo?
nenhum pio, nenhuma palavra, nenhum gesto...ignorando como se fossem....leprosos????
Nao estao ali pedindo dinheiro, estao pedindo alimento! Sao criancas!!!....esta sociedade....mas, aguarde
(momento de serene raiva silenciosa)

Carteiro - Garcom, pode pagar uma vitamina pra eles e coloque na minha conta!

#Carteiro chama as criancas e diz que logo vira a vitamina vira#

#em pensamento....#

As vezes as leis sociais nao devem ser respeitadas....
Tampouco a da lei da selva em que sobrevive o mais forte....
Sao pequenos gestos que trazem grandes feitos,
nao resolvem as mazelas, mas da um pouco de conforto a quem necessita.
Nao julga-se as condicoes que essas criancas se encontram, tampouco a quem as ignora (olha para o homem idoso, que esta se alimentando)...
Mas...as leis universais sociais sao justas, assim como as outras superiores.....(sorri)

#Passado um tempo, carteiro nao esta mais no bar e nota que homem esta indo a seu carro, vai e volta. Nisso ela nota que o carro esta em espaco irregular, proibido. E nota que um pouco adiante ha um guarda andando despercebido#

Carteiro (andando, logo se posiciona na frente do guarda) - Ola seu guarda! Tem horas?
Guarda - Sim, sao 3 e 25.
Carteiro (sai cumprimentando) - Obrigado....
Guarda (anda mais um pouco e nota que ha um carro estacionado irregularmente....logo vai olhando e sacando seu bloco de multa)....
Carteiro (sorrindo, olhando bem adiante) - ....para tudo ha a compensacao (diz baixinho e segue adiante)


#Ja de noite, jornalista em sua casa faz uma ligacao para Cidada A#

Jornalista (telefone chamando, chamando, atende...) - Alo?...
Oi, minha grande amiga, tudo bem?...
...pois eh ha quanto tempo! Mas voce me ligou pela tarde?...eu nao pude atender, estava com meu programa ao vivo no ar.
....(sorri) sim sim, ja faz uns 2 meses que estou com o programa no ar, eh tipo jornalismo policial mesmo.
....hein? Uma novidade a contar?, mas o que seria?
....(cara de desconfianca) como e que ?....nao nao, explica com calma (comeca a andar pela sala)
....voce encontrou ele? Mas como, era somente uma lenda, tem certeza mesmo disso?
....sim sim, eu sei que falamos isso quando voce era mais novinha, eu me lembro, mas sempre falei que era uma lenda! Tem certeza que nao foi enganada nao, minha querida? (sorri)
(cara de espanto)...pois eh...eh um pouco dificil de acreditar que seja o original mesmo, mas me diga, com quem voce pegou ele? Ou melhor, como o conseguiu?
....Como???
....Com quem??
(espanto)...meu senhor...
....eh eh, eu sei...faz muito tempo que nao falo com ele...
....como e que e? Ah, fez bem, fez bem em nao falar de mim....
...bom, vamos fazer o seguinte, minha querida, por telefone nao e uma boa discutir sobre isso, se e verdade ou nao.
....ah volta na semana que vem para ca? Otimo...
...bom, ate la, vamos manter em segredo entre nos, verdade ou nao, voce sabe bem o que esta carregando, por isso, quando vier para ca, me ligue por favor, irei ai mesmo ver isto e conversamos com calma, pode ser?
....otimo, entao se cuida por ai.
....beijo na alma...
(desliga, com cara de desconfianca)
Por Deus, nao e possivel que seja verdade....era somente uma lenda besta infantil...acho que a enganaram, com certeza....tomara que seja isso!
(olha para o telefone)

Domingo, 14 de Novembro de 2010

SA - Corrente - Parte I



# Final de tarde, 4 pessoas se reunem em um café elegante com pouca movimentação. Dois cidadãos, com semblante de jornalistas, com um gravador no meio da mesa, e um laptop ao lado, de frente a 1 cidadão e 1 cidadã, segurando uma câmera fotográfica que está desligada e também está na mesma. O clima é de certa descontração, mas no momento se realizava uma entrevista, sem que os outros cidadãos no café, localizado em shopping percebessem #

Jornalista 1 (pressionando o botão gravar) - ...então, vamos dar início, certo? Posso interromper de vez em quando, quando eu julgar necessário, tudo bem?

Cidadã A (em silêncio, segura a mão de cidadão B na mesa. Este somente olha, expressa um leve sorriso, de malandragem, e olha para o jornalista)...

[...] ok...tudo o que vou dizer neste momento, aconteceu há 3 anos atrás, e sou grato por finalmente ter tido a oportunidade de tornar isso público ... [...]

#cenário se afastando levemente, como se o leitor estivesse em um elevador, e o som ficando distante, vendo as pessoas caminhando nos corredores do shopping#

#Paris, França, 3 anos antes. Cidadã está correndo em uma grande praça movimentada, no meio de uma multidão, está com uma bolsa nas mãos. Nota de longe dois cidadãos, que andam procurando alguém, aparentemente.#

Cidadã A (ofegante) - ...Meu Deus, e agora?? (olha para os lados e nota uma igreja)...isso! (corre para a igreja).

#Cidada entra, e comeca a andar com mais calma. O visual da igreja e deslumbrante...ao seu redor, pequenos grupos de turistas com guia. Andando um pouco mais, nota uma escadaria, que da acesso a parte superior da igreja. Ela sobe, e nota uma janela....olha#

Cidada A (olhando a multidao ate onde a vista alcancava) - Caramba...parece que estao se dividindo

#ela nota que um dos caras que a perseguia, conversa com outros e passam a apontar as saidas da igreja, como um planejamento de emboscada#

Cidada A - e agora?.... (olha para a bolsa...e logo em seguida para o grupo de turistas que esta logo ali embaixo....sorri) - Ja sei.... (retira da bolsa um livro e o enrola em sua blusa)


#12 min depois, lado de fora#

Suspeito A - viu ela?...
Suspeito B - nao, cercamos tudo, mas nada dela ainda
Suspeito A - ela tera que sair uma hora. Esperem o tempo que for necessario. Logo a abordaremos...

#na parte frontal, sai um grupo de turistas...#

Suspeito A - fiquem de olho nesses grupos saindo...ela pode estar no meio....
Suspeito B - voce nao acha melhor entrarmos?
Suspeito A - nao e o melhor jeito....

#Cidada A, alguns metros depois, sem oculos e com cabelo solto baguncado, bem como sem blusa, olha os dois suspeitos conversando.....sorri e sai em disparada no meio da multidao#

#Brasil, 12h depois#

#Jornalista policial esta locutando um programa ao vivo quando recebe uma chamada no celular#

Jornalista - ...entao...
Companheiro - seu celular esta tocando
Jornalista - nao acredito....(olha para o numero, espanta)...(atende)...alo?....to ar, to no ar no momento, tudo bem?.....ok, tchau...(desliga)
Jornalista (disfarcando indignacao) -....isso sao horas de ligar???...eu vou te contar (ri)

#Cidada A (quarto de hotel)# - ...droga....(olha para o livro em cima da cama)...mas ele gostara de saber (sorri).

#continua#

Quinta-feira, 4 de Novembro de 2010

O último pensamento rascunho da noite...



SA - Onbudsman Social (I)

#dois cidadãos conversando em uma lanchonete, em uma tarde ensolarada#

[...] então, me lembro que isso aconteceu há dois anos atrás. Não foi fácil encontrar e percebê-lo, vou ser bem sincero contigo! Olha só que conversa de louco...por favor, não vai rir do que vou te dizer ok?

#pega um suco# nesta época não era 1/3 do que sou hoje, para você ter uma idéia. Assim, naquele tempo estava na fase do maravilhamento, tudo era possível, sonhos, desejos, vontade, juventude e garra, fui chique ao enfatizar isso não? Mas foi justamente isso que eu era na época...hyppie, por assim dizer.

#toma um gole, escuta o cidadão perguntar algo# então, para definir o que seria hyppie...olha, vou ficar te devendo. Não é muito fácil achar uma definição para isso, vamos dizer que, eu tinha vontade de viver, até que em excesso! Vamos colocar assim, para que você entenda.

Pois bem, foi em uma conversa com um professor, em um happy hour feito com a turma sala, que...papo vai papo vem, ele me contou uma lenda urbana, vamos assim dizer: o onbudsman social. Eu parei, pensei, mas que nhaca é essa?

Foi aí que ele explicou...nós, como cidadãos, temos nossa vida, rotina, socialização, enfim nosso mundo. Mas ficamos tão presos a ele, criando valores baseados nele, sobrevindo dentro dele, que não paramos para olhar nossos atos, para onde vão nossos valores, nossos princípios. Existiria uma figura, raríssima, que analisaria a sociedade pelo lado de fora, com uma visão não social, amaterial de tudo, vendo o ser humano em excência.

Sabe, no começo eu falei. Baita papo de louco, meu professor não batia bem das idéias, logo imaginei isso, deve ser uma lenda urbana! Alguém que tem uma visão de fora de todo contexto social?? Das duas uma, ou é só imaginação ou não vive o mundo. Deve ser mais um daqueles que falam idéias e mais idéias que não levam a lugar nenhum. Eu pensava assim na época.

Foi aí que meu professor começou a explicar. Como nós pensamos assim, estamos tão presos ao padrão de nossas rotinas, que essas pessoas são raras de serem encontradas. E detalhe, nem sempre são pessoas dedicadas a isso. Pode ser qualquer um, em qualquer lugar, desde o mais instruído, ao mais humilde. Se você pensar, é uma coisa louca, ninguém acredita, eu não acreditei, e até hoje confesso que quase não acredito.

Dizia ele, que ele encontrou alguém assim da seguinte forma: ele tinha acabado de ser demitido de uma fábrica, isso muito jovem ainda. Bom, foi aí que ele conseguiu um emprego ótimo. Começou a subir de padrão de vida, conhecer mais gente...começou a criar péssimos hábitos, caiu no consumismo, um pouco na luxúria, mas para ele não estava nem aí, estava se divertindo, e ele falava sem arrependimento nenhum disso. Afinal, carpe diem, como dissemos certo?

Pois bem, eis que um dia, em uma rodoviária, ele estava preocupadíssimo com uma conta que ia vencer, e depois de ter um dia péssimo no trabalho e tal. Veio um homem, aparentemente de interior. Bem vestido e com família, logo ele disse, tem uma grana para uma passagem para tal lugar...ele quase disse que não tinha, mas de repente olhou para frente, e viu há uns 10 metros, um homem da limpeza do lugar alí o olhando de longe. Jurava, não conhecia aquele homem. Bom tudo bem que a época era de tempos difícieis e tal, falou, vou tentar ajudar.

Foi lá, comprou as passagens, e resolveu comer algo junto daquele casal. E isso notava o homem lá longe, varrendo e olhando para ele. Quando foi comer, perguntou ao casal o que tinha acontecido. Foram assaltados, coitados, mas a bomba foi ouvir que a mulher daquele homem, tinha cancer, e vieram se tratar, mas nao tinham como voltar. Putz, eu me lembro que meu professor disse, que naquela hora o mundo tinha caído para ele. Cancer avançado! E este homem tinha uma filhinha pequena linda de morrer. E o homem feliz somente pelas passagens, poder voltar para casa. Foi um tapa na cara violento para meu professor, ajudou sem saber, nem ia ajudar. Luxúria, consumismo, a sua rotina era uma farsa, perto da felicidade do homem por uma simples passagem para voltar embora em segurança com a família.

E isso, o moço da limpeza olhando longe. Nisso, terminaram o lanche e tal, meu professor balançado, se despediram, e ele foi justamente falar com esse cara da limpeza. Foi perguntar: vem cá, posso saber por favor, o que você tanto me olha?...

Nisso ele disse, o cidadão fica preso tanto ao seu mundo, buscando alimentar uma falsa sensação desiquilibrada de felicidade, que esquece da excessência, em distinguir e sentir o que é pilantragem do que é verdadeiro. Não são palavras que dizem a verdade, e sim o olhar e aquele sexto sentido. A luxúria e o consumismo, escondem isso! E aquele homem que o senhor ajudou, estava dizendo a verdade, vejo também que está mexido. Tenho esperança que você deixe de ser um relis cidadão!

Meu professor ficou abasbacado de tanto ensinamento vindo de uma pessoa de baixa instrução. Nisso ele se deu conta...tinha topado com um onbudsman social. A lenda urbana se fez verdade[...]

#Cidadão B interrompe grosseramente#
#B # - escuta, escuta, não aguento mais ouvir isso, isso pra mim é viagem. Vamos falar de assunto melhor, mais simples, futebol por exemplo..poxa tem tanto assunto melhor. Aliás, você viu como é a formação do time hoje?...

#Cidadão A responde sem problemas#

Terça-feira, 2 de Novembro de 2010

"As pessoas são diferentes desde que sigam os marcos padrões da vida humana!"



SA - "Retratista"

#um cidadao em um bairro movimentado, encostado em uma farmacia. Pessoas passam apressadas enquanto ele com seu fone de ouvido e um radinho a pilhas desenha mais um retrtato, de tantos outros que esta em sua colecao#

#Contando a um cidadao que esta sentado ao seu lado#
Quando as pessoas passam por mim, ficam adimiradas com meu trabalho, com meus contornos e perfeicao, olham cada retrato como uma coisa diferente....se impressionam, e magnifico!

Mas na verdade, so retrato elas, simplesmente isso! E nao vejo pessoas diferentes, sao pessoas diferentes fazendo o mesmo papel, sao homens, mulheres, criancas, casais....

Sabe o que penso? Eh tudo um padrão. Somos livres com nossos atos, arcamos com nossas responsabilidades, mas seguimos todos o mesmo formato. Um mesmo padrão de vida, que nem todos conseguem. Nasce, sonham, planejam, revoltam, querem mudar, são mudados, são envolvidos pelo mundo, se convencem, aceitam, vivem, formam ou não família, vêem os filhos envelhecerem, envelhece e morre.

Voce pode ate tentar mudar isso, mas, vai gastar tanto tempo, e so voce podera saboerear a vitoria, e ser incompreendido, ou chorar o fracasso, e ser vitimalizado.

Por isso estou aqui, retratando as pessoas, fotografias diferentes de pessoas que são a mesma coisa sempre! Por mais que gritem, agitem, podem ser muito "felizes" vivendo no padrão, mas tal afirmação me impressiona bem mais que as fotografias que rascunho, meu caro cidadao!

Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010

"Sigo as estrelas, pois elas brilham, vou para onde elas estão!"



SA - Causo urbano

#dois cidadãos sentados em um banco, em uma tarde movimentada comum, meio do dia. Um dos dois cidadãos parece apressado e afobado, não parando de olhar o relógio a todo momento. O outro, sentado tranquilamente esperando seu tempo.#

A - (olhando a afobação) - Meu rapaz, espero que chegue em tempo pela sua pressa!
B - (olhando com cara de espanto, não reconhece e nem fala nada)
A - Tudo bem, só desejei algo de bom para você!
B - (rola os olhos, ignora o que foi dito)
A - Não se preocupe, desculpe-me se estou te incomodando, mas posso lhe dar um conselho?
B - (olha, em silêncio, mas em tom de desprezo, como se fosse mais algum louco a lhe pertubar).
A - Já se perguntou para onde vai com tanta pressa se a vida tem seu rítmo próprio e seu tempo?
B - (sorri, balança a cabeça e olha para o relógio)
A - Pois esta é justamente a resposta que estava esperando. (olha para o outro lado, pessoas chegam e começam a sentar nos bancos restantes). Sabe, e se eu aqui fosse a sua vida, lhe perguntando, era desse jeito que você a trataria? Se já não a trata assim?
B - Escuta moço, não lhe conheço, eu não estou em um bom dia, obrigado pelo conselho, mas não estou de sermões.
A - (sorri) - OK, ok.

#cidadão continua olhando o relógio, o outro passa a ler um jornal calmamente#

B - (se levanta, apressado e bufando)
A - Sabe qual é o problema dos cidadãos?
B - (rola os olhos e nem vira para o cidadão, as outras pessoas olham silenciosas à conversa)
A - Na pressa ficam cegos, no stress ficam surdos, na impaciência ficam mudos. Acontece que, se isso fizesse o tempo passar rápido, o mundo seria perfeito. Mas o tempo continua o mesmo, apressadamente, ou calmamente. O tempo é um só, somente a forma como as pessoas encaram ele é que o faz parecer demorado ou rápido!
B - (vira, em tom de sarcasmo) - Eu mereço, quem é você? Nem me conhece, por favor, tenho mais o que fazer, vai dar sermão em outro, eu hein?
A - Putz, pois é, nem conheço. Mas vem cá, você não teria que ir ao correio às...(olha o relógio) 14h45min?
B - (gela)...si...sim
A - Pois é, eu também. A vida nesta sociedade às vezes é injusta, mas não é má, ela somente retribuiu, independente se cedo ou tarde o que você faz com ela. (se levanta) Se eu fosse sua vida, digo que você está a perdendo. Como eu não sou, e era para ser o seu entrevistador, só que eu tive problemas de condução(sorri), realmente não quero te conhecer! (estende a mão ao cidadão, que fica pasmo)
B - Mas...mas...mas...espera, eu eu eu....
A - (sorri) - Olha, leve pelo lado bom, você pode ter outro entrevistador, mas vida dificilmente você terá outra do jeito que a está tratando. Passar bem!

#A começa a caminhar, cidadão volta a sentar no banco, dessolado#